Os Três Níveis da Guerra: Individual, Doméstica e Internacional

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Entrevista com a Psicanalista Cláudia Bernhardt de Souza Pacheco, presidente da Associação STOP a Destruição do Mundo

Dra. Cláudia, o que é a guerra?

A guerra deve ser tratada em dois níveis diferentes. Temos que vê-la de maneira integral, e ter foco na guerra interior do ser humano, da qual é oriunda a guerra que se empreende em casa, ou seja, a violência doméstica. Na sociedade, faz-se guerra nas empresas e escritórios. Os conflitos entre países ou nações, e as guerras mundiais, são o cume das guerras.

A guerra é o resultado da paranoia. O Psicanalista Norberto Keppe descobriu que a paranoia é o centro da patologia. A projeção faz parte da paranoia, e quer dizer que a pessoa não quer ver os próprios problemas, doenças e sofrimentos, projetando-os nos outros. Por trás das psicoses, neuroses e transtornos de personalidade, há sempre paranoia, que está relacionada à projeção, isto é, seus próprios conteúdos mentais são refletidos nos outros.

Vamos começar do nível individual. Fazemos uma enorme guerra dentro de nós, principalmente no nível de pensamentos. Temos muitos sonhos acordados, e raramente sonhamos com coisas boas. Esses sonhos são mais como pesadelos, pois as pessoas criam em suas mentes fantasias em que elas brigam, discutem, são perseguidas e acusadas, ou elas acusam os outros. O que acontece dentro do ser humano raramente é harmonioso. Desde pequeninos, destruímos essa harmonia interna, que seria a aceitação do bom, do verdadeiro e do belo. Parece que é muito difícil a humanidade aceitá-los.

Depois, temos o segundo nível de guerra, que é a violência doméstica, que também se empreende no trabalho, nas escolas e outros grupos. Igualmente, essa guerra se baseia na paranoia e projeção – culpamos os outros pelas nossas dificuldades, nossa falta de desenvolvimento, nossa infelicidade, nossa incapacidade de realizar algo, ou até mesmo de relaxar. Nós não nos damos conta de que se trata primeiramente da nossa guerra interna, nossa atitude de nos opormos à vida. Nós lutamos contra a vida. Esta é a descoberta científica mais importante de Keppe. Ele escreve sobre isso extensivamente no seu livro A Origem das Enfermidades.

O que Keppe quer dizer com a atitude de se opor à vida?

O ser humano empreende uma guerra contra a própria vida. Faz guerra contra si mesmo. Lutamos contra tudo aquilo que mais amamos. Geralmente, brigamos com aqueles que mais nos ajudam e que nos dão mais afeto etc. Muitas vezes, as nossas relações afetivas são carregadas de inveja, paranoia e ciúmes porque sofremos de inversão. Em outras palavras, vamos contra tudo aquilo que mais nos beneficia, e somos contrários àqueles que mais nos ajudam. Essa é a tendência do ser humano, e podemos dizer que já nascemos com ela. Na verdade, mais pessoas são feridas ou morrem vítimas de violência doméstica do que nas guerras entre nações.

A senhora falou que há três níveis de guerra. Qual é o terceiro nível?

O terceiro nível está ligado às guerras civis, às guerras entre nações e às guerras mundiais. Em sua base, elas também contêm a paranoia, e a principal causa das guerras é a projeção. Por causa da projeção, pensa-se que existe uma ameaça externa e, se no outro país pensa-se da mesma forma, inicia-se a guerra. Na verdade, o que mais prejudica um país é sua própria destruição; quando os valores mais altos como disciplina, virtudes, ética, artes, religião, conhecimento e caridade decaem, começa-se a fazer guerra.

A decadência de um país começa quando seus habitantes escolhem atitudes destrutivas. E, quando se projeta essas atitudes em outras pessoas, começa-se a fazer guerras. Exatamente como os Estados Unidos, que claramente entraram na decadência nos últimos quarenta anos.

Os americanos guerreiam com os muçulmanos porque buscam um bode expiatório para a sua decadência. Mas, na verdade, a sua decadência é causada pelo fato de terem parado de trabalhar, abandonando os verdadeiros valores americanos; eles fazem guerras para terem uma desculpa. Muitas vezes, brigamos justamente com as pessoas que são mais semelhantes a nós, porque não queremos olhar para nós mesmos no espelho através delas.

Poderíamos dizer, então, que os países brigam com países semelhantes? E o que diz isso, por exemplo, sobre os Estados Unidos?

Os Estados Unidos são semelhantes aos países árabes no que diz respeito ao fundamentalismo e materialismo, e são muito ditatoriais. Como poderíamos resolver esse problema? Podemos resolver esse problema somente se nos conscientizarmos da nossa paranoia. Na nossa psicanálise, o cliente começa a perceber que ele é o seu maior inimigo, e isso é algo muito libertador.

Isso quer dizer que o medo de guerra é de fato o medo de nos conhecermos e de vermos a nossa paranoia?

Sim, temos medo de ver a nossa autodestruição – como nós destruímos nossos valores de beleza, bondade e verdade, que têm sido enfraquecidos ultimamente pelo capitalismo, neoliberalismo, materialismo, ateísmo e consumismo.

Quando a patologia toma conta dos valores verdadeiros, quando as virtudes e os valores espirituais e psicológicos decaem, uma nação se torna muito fraca. Aí, as outras nações mais fortes tomam o poder. No entanto, as pessoas ainda conservam muitos valores espirituais, mesmo aquelas que se consideram ateias, e que, na verdade, não o são, se valorizam a justiça, arte, beleza e bondade, que são valores universais. Ninguém que tenha esses valores pode se considerar um ateu, pois Deus é amor, beleza e verdade.

A nossa Ciência Trilógica é como uma ponte que une as pessoas de diferentes áreas da ciência e de atuação, e mesmo de várias religiões. Nós lhes oferecemos uma nova espiritualidade universal, baseada na Trilogia Analítica, que é a unificação da ciência, filosofia e teologia.

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